Diferença entre a Osteopatia e outras Medicinas

Apesar das técnicas osteopáticas já não poderem ser consideradas como exclusivas da osteopatia, continuam a ser parte do seu conceito e a diferença pode encontrar-se no nível de intenção e na profundidade com que se aplicam na sua prática diária.

Ainda que as técnicas manuais sejam utilizadas por muitos tipos de medicos, quiropráticos, fisioterapeutas… a forma particular em que as técnicas de manipulação osteopática se integram na interação com o paciente, assim como a duração, a frequênca e a escolha da técnica são aspetos distintivos da Osteopatia.

A Osteopatia não se limita às técnicas de ajuste vertebral, frequentemente associadas com a medicina manual ortopédica ou a quiroprática. O tratamento manual osteopática utiliza muitos tipos de técnicas de manipulação, incluindo o “thrust” (ajuste) na coluna vertebral, as técnicas articulatórias, de correção por posicionamento, de energia muscular, viscerais, tissulares, fasciais, reflexas, e também técnicas suaves funcionais e crâneo-sacrais.

Apesar das diferentes formas de medicina manual terem o seu próprio arsenal de técnicas e métodos de aplicação, o contínuo intercambio interprofissional, significou (naturalmente), que na procura de uma abordagem terapêutica manual eficaz, as técnicas mais eficientes tenham sido selecionadas e incorporadas. Com o tempo, esta seleção técnica natural “darwiniana”, traduziu-se numa considerável transferência de técnicas de uma profissão para outra. No contexto desta transmissão de técnicas, é de vital importância recordar que o arsenal de técnicas osteopáticas não define em sí a Osteopatia. São apenas parte da prática.

O conceito subjacente, o processo subjacente de pensar com a filosofia osteopática e como estes se aplicam na prática, é o que distingue a Medicina Osteopática de outras formas manuais de medicina, muito mais que as suas técnicas e a forma como são levadas a cabo.

Ainda que a gama de técnicas (como se indicou anteriormente) não seja uma entidade  característica da osteopatia, podemos encontrar essa identidade na habilidade e na sensibilidade palpatória, chamada de “toque osteopático”. Este é um conceito que é bastante independente de outras medicinas manuais e que se considera específico do nosso grupo profissional.

Outras características, como a natureza holística da Osteopatia e a adesão aos princípios higienistas da naturopatia e epigenéticos sobre a influência do nosso estilo de vida na expressão dos genes, junto com os princípios de unidade e de potencial de auto-cura, não são exclusivos da osteopatia e são partilhadas com outras Medicinas Tradicionais.

Outro conceito importante dentro da Osteopatia é o conceito da “função”. As funções são a todos os níveis contextuais e relacionais, desde a função local de uma parte do corpo, à função de uma pessoa no seu meio ambiente físico e social. As decisões clínicas dependem de como este contexto se forma e se entende. A osteopatia adopta uma abordagem específica para o caráter contextual e relacional da função.

Por um lado, a avaliação e diagnostico osteopático enfatiza a importância do conjunto para conseguir um melhor entendimento das partes. Por outro lado, os sitemas disfuncionais locais, devem ser identificados de forma precisa. O objectivo do tratamento osteopático – um dos princípios que se mantêm dos ensinamentos do Dr. Still – é o de devolver ao organismo a sua função normal e portanto, restringir a necessidade de medicação e cirurgia.

Na Europa, os osteopatas são profissionais de saúde independentes de primeira intenção, tanto para o diagnostico como para a terapia e atuam na manutenção e/ou restauro da saúde, em estreita colaboração com o paciente, sobretudo através do tato, implementando uma técnica manual que é dirigida a restabelecer a função perdida, em todos os niveis do corpo.