Dr. Andrew Taylor Still

História da Osteopatia

O precursor da Osteopatia foi o Americano Andrew Taylor Still.

Chegado o século XIX, produziu-se um remoinho de ideias e no meio deste movimento, as formas modernas de medicina surgiram baseando-se no genio de alguns investigadores, entre os quais, o proprio A.T. Still.

Nasceu em 1828 na Virginia. Era filho de um pastor metodista, que por sua vez exercia como medico e fazendeiro. Seguiu os seus passos estudando medicina e também estudou engenharia. Destacou-se pelo seu espírito curioso e ao mesmo tempo mecanicista, racionaista e analista e muito rapidamente enfrentou-se com os limites da medicina do seu tempo.

No final da Guerra de Secessão, uma epidemia de meningite matou 3 dos seus filhos, questionando-se então sobre as certezas da medicina do seu tempo. Esta baseava-se em fármacos de eficácia duvidosa, remédios que ele sempre considerou tóxicos e nocivos para o organismo.

Pelo seu pensamento religioso e racionalista, seguiu a anatomia, fisiologia e patologia com uma observação distinta. Interessou-se cada vez mais pelo corpo humano enquanto TERRENO. Tentou procurar uma nova medicina, mais de acordo com as leis da natureza.

A partir de 1874, Still começa a exercer uma medicina baseada numa abordagem manual que chamou OSTEOPATIA. Resumiu o princípio fundamental numa frase, “A estrutura governa a função”. A sua abordagem baseava-se em favorecer a correção da estrutura óssea, para conseguir uma melhoria posterior da função orgânica. Segundo as suas próprias palavras: “A Anatomia está em primeiro, em último e está sempre presente”.

As novas técnicas que ele mesmo desenvolveu, tiveram um grande êxito, atrairam um grande número de pacientes e Still passou a ser uma personagem muito conhecida na sua época.

Perante o rápido aumento de pacientes e a crescente exigência de tratamentos, decide finalmente transmitir os seus ensinamentos para poder dar assistência a um maior número de doentes. Neste processo é ajudado por Dr. W. Smith, um especialista em cirurgia que, após ouvir falar dos resultados de Still, quis conhecer pessoalmente as suas técnicas de tratamento.

Em 1892, fundam finalmente a primeira escola de osteopatia em Kirksville, a American School of Osteopathy, atualmente chamada Kirksville College of Osteopatic Medicine.

De 1892 a 1900, o movimento osteopático alcança uma importância considerável. Nos finais dos séculos XIX, A. T. Still retira-se do ensino publicando quatro livros.

A 12 de Dezembro de 1917, Still, apelidado de “o velho doutor”, morreu como consequência de um acidente vascular cerebral. Tinha 89 anos.

A evolução da Osteopatia e a sua chegada à Europa

Nos finais do século XIX, John Martin Littlejohn, um brilhante escoçês, possuidor de quatro doutoramentos, matriculou-se na escola de Kirksville. Devido ao seu trabalho como jornalista, dirigiu-se a este lugar para entrevistar Still, devido à sua fama que se estendia por vários estados.

Littlejhon, além de jornalista, era médico especialista em fisiologia. Muito rápidamente se converteu no braço direito de Still e curiosamente foi ao mesmo tempo aluno e professor na escola de Kirksville, chegando finalmente a ser nomeado reitor. Adicionou ao programa académico ciências fundamentais como a Química e destacou a importância do estudo da Fisiologia para a saúde. Segundo Littlejhon: “A Fisiologia é a porta de entrada ao imenso mundo da Osteopatia”.

A defesa destas ciências fundamentais, levou-o a frequentes discussões com Still, pois para este último o importante era “A ESTRUTURA” enquanto que Littlejhon insistia na importância da “FUNÇÂO” como elemento principal. Como consequência das visões diferentes da medicina, Littlejhon, decidiu mudar-se de Kirksville para Chicago, onde fundou o The Chicago College of Osteopatic Medicine, que chegou a ser uma das mais importantes escolas dos EU.

A Littlejhon devemos o desenvolvimento de uma osteopatia mais maximalista e global e em especial o aparecimento de técnicas como o T.G.O. (Tratamento Geral Osteopático), posteriormente desenvolvido por J. Wernham, que está baseado nos seus próprios estudos sobre a biomecânica humana e concretamente na acção que a força da gravidade tem sobre a postura.

Em 1917 LittleJhon deixou Chicago e voltou a Europa.  Instalou-se em Londres onde fundou a British School of Osteopathy. Esta escola passou a ser a primeira instituição osteopática europeia e segue os seus trabalhos académicos na atualidade.

Na Europa, a evolução da osteopatia seguiu um caminho diferente do seguido nos Estados Unidos. Atualmente, na Europa a osteopatia é uma profissão independente que se alcança através da obtenção do DO (Diploma Osteopático), enquanto que nos Estados Unidos, os médicos osteopatas seguem os estudos de medicina e finalmente especializam-se em osteopatia, podendo igualmente exercer cirurgia e prescrever medicação.

Desde o início do século XX até metade do mesmo século, houve uma tendência para a objetividade e o racionalismo no campo da Osteopatia, para a qual contribuíram, o próprio Littlejhon e a aparição da figura de Harrison Fryette, com os seus estudos sobre a mecânica vertebral. Realizaram-se então, tratamentos com  uma abordagem maximalista, deixando um pouco lado um dos princípios de Still: “Encontra-o, arranja-o, e deixa que siga o seu caminho…”. Deste modo, a maior parte dos tratamentos da época,  basearam-se em técnicas de manipulação direta ou de Thrust.

O periodo entre 1950 e 1975 aproximadamente, produz grandes mudanças na visão que até agora se tinha da osteopatia. Isto foi devido ao desenvolvimento de novas abordagens e à aparição dos tratamentos craneais funcionais. Para isso contribuíram, sem dúvida, figuras como W. G. Sutherland com a sua revolucionária visão da aplicação da Osteopatia no campo craneal. O seu trabalho foi continuado por H Magoun, V. Frymann e Anne Wales, e talvez represente a maior evolução da osteopatia desde os tempos de A. T. Still.  Neste periodo destacam-se também: C.H. Bowles e H.V. Hoover com as sua evolução nas técnicas funcionais, T.J. Ruddy e F. Mitchell com as suas técnicas de energia muscular, L.H. Jones com as suas manobras de Tensão-contratensão, ou Jean Pierre Barral que centrou a sua atenção no desenvolvimento das manipulações viscerais e nos dias de hoje é um dos autores mais lidos.

Em 1960 fundou-se a European School of Osteopathy (ESO), a partir da união de um grupo de reconhecidos profissionais, entre os quais estavam, J.Wernham, T. Dummer, T. Hall e P. Blagrave e criou a base para o desenvolvimento de novas escolas em toda a Europa.

Em 1993 produz-se o reconhecimento oficial nos países como Reino Unido, França, Bélgica, Suíça, Portugal, Austrália, Nova Zelândia, etc.

Em 1997 o Parlamento Europeu instala nos Estados membros da União Europeia o reconhecimento da Osteopatia (resolução LANNOYE/COLLINS 1997). Para esse efeito formou-se a OSEAN (osteopathic European Academic Network), para promover a cooperação na Formação Osteopática e para desenvolver um curriculum académico uniforme na Europa. Do mesmo modo, a FORE (Foro para a Regulação da Osteopática na Europa), trabalha atualmente para conseguir que exista uma uniformização de critérios a nível Europeu, para o reconhecimento da osteopatia.

No documento “estratégia da OMS sobre medicina tradicional 2002 a 2005” recomenda a utilização, promoção e desenvolvimento da Osteopatia nos Estados Membros.

Na atualidade, há uma tendência de retorno à origem Holística da osteopatia (aparentemente em consonância com a conceção inicial por parte de Still), dando-se igual ênfase a aspetos dinâmicos, estruturais/funcionais e funcionais/estruturais, tanto desde o ponto de vista de diagnóstico como da técnica.

Deste modo, cada tipo de aproximação ao tratamento, desenvolveu-se na procura de elementos mais subtis e precisos para tratar lesões concretas. O que implica, que nos dias de hoje, o osteopata disponha de uma grande quantidade de técnicas para poder adaptar-se a cada paciente em particular.

Até à data, e apesar das recomendações da OMS e da UE, a osteopatia ainda não foi regulada em Portugual. Atualmente já existem diretrizes para regular e certificar a osteopatia e os seus profissionais e está a decorrer o processo de certificação para a obtenção da respetiva cédula professional.